EJA cursado no SESI deve ser considerado escola pública?

Imagine lutar contra as estatísticas.  Sempre estudar em escola pública e, devido problemas de saúde, parar de estudar. Depois de vários anos, aproveitar uma política afirmativa e de forma gratuita finalmente obter a certificação do ensino médio na modalidade EJA no SESI como bolsista integral em 2016. Depois de muitos anos, voltar a estudar e ver seu nome na lista de aprovados para Medicina em uma universidade federal, no ano de 2025.

Isso ocorreu com uma estudante que superou barreiras para conquistar a vaga na UFFS, em Santa Catarina. Mas, no momento da matrícula, o sonho virou um pesadelo burocrático: a universidade negou a vaga sob o argumento de que a estudante obteve a certificação do ensino médio no SESI, instituição privada e por isso não teria direito de concorrer como escola pública.

Para a UFFS, aquele único período estudado no SESI era suficiente para anular toda uma trajetória de escola pública e retirar seu direito à vaga.

No caso da estudante, foi necessário comprovar que o EJA, ainda que cursado no SESI, não oferece vantagem indevida e não descaracteriza a condição de aluno de escola pública.

O que a Justiça decidiu e porque isso é importante?

A justiça decidiu que a estudante teve direito violado e deve ser matriculada. Essa decisão do TRF da 4ª Região no Recurso de Apelação 5007987-04.2025.4.04.7202/SC serve como escudo para estudantes em situação semelhante, pois reafirma que o sistema de cotas existe para promover a igualdade real e transpor barreiras impostas pelas faculdades.

Na oportunidade a Turma considerou que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) se trata de programa social, com fins educacionais, que visa promover a inclusão de jovens e adultos ao mercado de trabalho, não é possível a sua equiparação às instituições de ensino privado para fins de impedimento ao acesso às cotas sociais.

Na oportunidade a corte fixou a seguinte tese de julgamento:

Tese de julgamento: 8. A conclusão de parte do ensino médio na modalidade EJA em unidade do SESI, entidade paraestatal com programas subsidiados, não descaracteriza o direito à cota para estudantes de escola pública, em observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Apelação 5007987-04.2025.4.04.7202/SC. RELATORA: Desembargadora Federal ANA CRISTINA FERRO BLASI. Julgamento: 20/04/2026

Assim, ficou decidido que a circunstância de a estudante ter finalizado os estudos mediante frequência ao EJA do SESI não desvirtua a finalidade, tampouco fere a disposição do art. 1º da Lei 12.711/2012.

Se você concluiu o ensino médio pelo EJA e está enfrentando dificuldades para garantir a vaga na Universidade, saiba que existe um precedente judicial poderoso ao seu lado. Não aceite o “não” como resposta quando o seu futuro está em jogo.

 

Saiba mais:

https://www.youtube.com/@advogadavivianesantos

Por Viviane dos Santos Pereira

Advogada OAB/DF 81.304

Advogada OAB/PA 29.213

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Buscar

Categorias

Categorias

Últimas do Blog